Irracionalidades e Euforia

Irracionalidade e Euforia

13 de fevereiro de 2020

Olá pessoal.

Como a maioria deve ter visto, estamos em meio a um Bull market (mercado de alta).

Existem duas denominações muito utilizadas no mercado acionário: bear market e bull market. O primeiro se refere a um mercado em baixa, ou seja, o preço dos ativos vão caindo. Já no bull, ocorre o contrário, os ativos vão subindo e ficando “mais caros”.

Isso vem de uma denominação antiga utilizada pelo mercado e o motivo é simples: O urso ataca com sua pata vindo de cima para baixo enquanto o touro abaixa a cabeça e faz um ataque com ela e seus chifres de baixo para cima. Por isso temos o mercado de baixa ou baixita (bear / urso) e o mercado de alta ou altista (bull / touro)

Dada essa explicação, percebemos que estamos em um mercado altista e isso começa a gerar certa euforia depois de um tempo. As pessoas começam a ser atraídas para essa forma de investir e podem seguir dois caminhos: alguns acabam descobrindo uma oportunidade de criar um grande patrimônio no longo prazo enquanto outros buscam apenas um lucro rápido devido as valorizações expressivas. E digo certamente que a maioria acaba escolhendo a segunda opção.

Um monte de gente começou a falar sobre bolsa de valores: nos jornais, nas ruas, nos horários de almoço, nas rodas de amigos. É comum vermos na mídia eletrônica títulos como:  Bolsa renova máxima histórica; IFIX ultrapassa máxima; Agora é a hora da renda variável; etc.

A partir de todo esse contexto é que surge a expressão “filhos do bull market”. São pessoas que começaram a investir em renda variável mas que ainda não vivenciaram uma grande queda da bolsa por meses/anos. Adianto que também me incluo nesse grupo, como pode ser visto no primeiro artigo que escrevi, clicando aqui.

Um dos problemas que começam ocorrer é, a medida que a euforia aumenta, mais pessoas acreditarem, ou se iludirem, que bolsa é renda variável que só sobe. Como resultado nós vemos por aí os famosos gênios da bolsa: pessoas que bateram o índice bovespa (ibov) com folga ou estão comprados naquela ação que valorizou 40% em poucas semanas. Vão correndo eufóricos contar vantagem em grupos de whatsapp, telegram, instagram e outros meios eletrônicos. Seres que acreditam ter o conhecimento acima da média e que conseguirão retornos incríveis e com facilidade pelo resto da vida. Afinal é só comprar o código do home broker que parece ter um custo baixo ou mais atrativo e esperar a “obrigatória” valorização, como em um passe de mágica.

Mal entrou na renda variável e já acha que sabe tudo.

 

Assim, esses mesmos pseudo-investidores, ignoram o principal fato:  renda variável VARIA para cima e para baixo também. Parece bobo lembrar desse fato, porém, isso acontece com frequência. Não entendem que quedas de 2% são normais e quando elas ocorrem, e vão ocorrer, eles se desesperam, enchem os grupos de mensagem perguntando o porquê de tal ação estar “desabando”, se é hora de vender e aceitar o prejuízo. Em outras palavras, entendendo tudo sobre preço mas não tem a mínima noção do que é valor. Infelizmente, boa parte vai sair da bolsa quando o mercado virar e iniciar um bear market.

Já que falamos de valor, é primordial identificar o mais importante no processo de investimento. Vocês sabem o que é ? Não? Então vou contar agora: por trás de cada código, listado na B3 e no home broker, existe uma empresa. Sim, e nessa companhia há pessoas trabalhando, gestores tomando decisões. Além disso, ela está inserida em um ramo específico do mercado, com um ou mais produtos e/ou serviços; também tem concorrentes, precisa realizar investimentos em modernização, tem custos, dívidas, há processos rodando, tem toda a cadeia logística que precisa ser pensada, entre outros tantos pontos. Mas para que saber tudo isso? Vai fazer alguma diferença? Eu quero ver a ação valorizar 100%, vender e pegar meu lucro e continuar nesse ciclo até eu ficar rico!

Sinto informar que a bolsa não funciona assim caro leitor.

Gosto sempre de utilizar o exemplo da padaria nesses casos. Se você fosse investir em uma padaria na sua cidade, eu acredito que você verificaria algumas coisas importante antes de por seu dinheiro nela, como: nível de conservação do imóvel, localização, concorrência, atendimento, qualidade de atendimento, qualidade dos produtos/serviços, fluxo de pessoas na região, se tem estacionamento, qual faturamento e lucro recorrente e dos últimos anos, que são as pessoas que trabalham ali, quais processos existem, entre outros itens.

Perceba que em poucas linhas já temos diversos aspectos para identificar e então fazer uma análise de quão boa é essa empresa perante o mercado e se realmente vale a pena realizar esse investimento ou não. Entenda que temos uma série de passos a serem feitos até que tomemos a decisão final. Não colocamos nosso dinheiro ali para depois tentar entender o mínimo sobre o empreendimento ou fazer uma aposta que vai dar tudo certo. Claro que rentabilidade passada não significa rentabilidade futura, mas entender como o projeto funciona e suas perspectivas futuras é essencial para termos chances de ser sócios de boas empresas.

Após dizer tudo isso talvez você tenha ficado um pouco assustado e achando que investir não é para você? Sim? Se foi, gostaria de informar a você que não é esse bicho de sete cabeças. Realizar uma análise básica requer um pouco de estudo, dedicação e treino. No final do último artigo eu comentei a respeito de alguns livros que podem auxiliar você nesse processo para se tornar um investidor (clique aqui). Na internet também existem boas fontes de estudos como blogs e alguns canais no youtube. O 500 pratas tem algumas playlists em seu canal que você pode assistir gratuitamente e ajudará você nessa jornada. Caso você queira algo mais elaborado, existe a opção dos curso 500Pratas Light e Grupo Fechado

Por fim, deixo dois trechos da carta semestral da asset Alaska. O texto é bem interessante e vale a pena ler a carta toda (que contém mais de 20 páginas).

Espero que tenham gostado e em breve estaremos por aqui.

 

Instagram = @bryan_reis_hold 

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